quarta-feira, 9 de maio de 2007


SOLICITAÇÃO

Há um deserto artístico na Ufma. Não de artistas, mas de movimentos. Ambos se dependem, mas o que é poeira sem vento? Dizer que falta arte no certame universitário seria tirar seus vasos linfáticos. Há produção artística, porém o espaço para vazão do intelecto se faz mirrado e escasso, retido ao bolor teórico das salas de aulas fechadas em si mesmas e condenadas á letargia da monotonia: o vazio cheio de coisas, e a ausência cheia de gente.

Não tiremos a alma dos estudantes – não estamos no limbo- mas uma instituição universitária sem movimentos artísticos concisos perde a alma. A universidade mata pleonasticamente a sua holística. E o que era para ser um fomentador fundamental de massa cinzenta, acaba sendo cinzento no gris da superficialidade dos prédios.

A parcimônia tísica da expressão artística se dá tanto pela falta de manifestação dos que a fazem como da falta de incentivo dos que tentam fazê-la.

O GLOSA é uma modesta manifestação de arte legítima. É um folhetim de caráter erótico, hendonístico, dionisíaco, epicurista... Enveredamos na busca do íntimo através da poesia, da prosa teatral e da arte visual, assim também como a elucubração de novas linguagens para que o culto ao prazer se faça de forma contundente e não se limite á impropérios bizarros e banais. É um campo delicado. Bocage, Nelson Rodrigues, Augusto do Anjos, Pablo Neruda, Álvares de Azevedo, entre e inúmeros e famigerados artistas fizeram desses temas não um culto xucro ou uma panacéia barata, mas sim, uma forma de beleza incontestável.

Nosso compromisso é incentivar a produção de arte original, apoiar movimentos artísticos, instigar artistas, e expandir a visão universitária.

Contamos com 4 edições. A primeira, em setembro de 2006, com 400 xerocópias; a segunda, em novembro de 2006, com 350 xerocópias; a terceira, em janeiro de 2007, com 200 xerocópias; e a quarta, em março de 2007, com 280 cópias. Contamos com o apoio do D.A. de Letras, com o apoio do C.A. de teatro e com o C.A. de filosofia.

Mas depender das xerocópias, além de tirar a periodicidade – intencionalmente mensal – desestimula os leitores a acompanhar o folhetim.

O GLOSA é um movimento dos alunos de Letras (Igor Fernando de Jesus Nascimento, 3º período, idealizador, fundador e escritor, Marco Anderson Monteiro, 6º período, escritor e fundador) aberto integralmente para outros cursos e outros artistas.

Solicitamos, pois, a autorização do departamento de letras para que seja viável o uso da gráfica da universidade, posto que, além de sanar os empecilhos citados das xerocópias, seja possível aumentar o formato (de A4 para A3) e com isso ter mais liberdade para publicação, já que na folha de papel A4 nos vemos compelidos a diminuir o conteúdo em decorrência do tamanho da folha.

Contamos com a compreensão do departamento. E que se suscite a expressão artística na universidade – no universo contamos também o brilho dos corpos celestes.


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Igor Fernando de Jesus Nascimento

(Idealizador e Fundador do GLOSA)

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Marco Anderson Monteiro

(Fundador do GLOSA)

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Hérika Ferrnandes

(Coordenadora do D.A de letras)


domingo, 11 de fevereiro de 2007

4ª Edição, "A orquestra bizarra"


Saiu a 4ª edição do GLOSA, "A Orquestra Bizarra"

Espero que gostem e divulguem este blog, mas apenas se gostarem

Pequeno adendo :

Há horas que me sinto um esquizofrênico escrevendo para este blog...

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

comoquemedásexonde?

Ativo(a) Passivo(p)

(início do jogo)
a:_ calma, não precisa dizer nada; ou melhor, fale apenas se estiver se sentindo desconfortável.
p:_ mas é que eu nunca... É que eu nunca... Nunca...
a:_ tudo bem, eu sei. embora não pareça, me sinto da mesma forma.
p:_ como? desconfortável?
a:_ não quero que isso seja um problema, por isso se não te convém o agora não vou contrariar tua decisão.
p:_ ...
a:_ ...
p:_ posso te pedir uma coisa?
a:_ o que quiser, se estiver ao meu alcance...
p:_ esforce-se em fazer disto algo que valha toda esta insegurança, eu prometo ajudar
a:_ tenho certeza de que encontraremos um caminho
.............................................................................................................................................(entrando no jogo)
a:_ gostas do que estou fazendo?
p:_ por favor, só não pare
a:_ como previ. em... momentos... como... este... costumo... tornar... tudo... mais...
p:_ por favor, não pare!
a:_ agradável
p:_...
a:_...
p:_que bom! uma sensação ótima. estou mais livre agora. dizem que é mais fácil assim... é verdade?
a:_ certifique-se por conta própria
p:_ não se incomoda?
a:_ tente não pensar tanto sobre isso, assim nada do que fizer será incomodo
p:_ saber de menos irrita
a:_ não a mim, às vezes saber de mais só piora as coisas: torna-as vazias de interesse
p:_ então...
a:_ vamos! faça logo o que queremos que faça
.............................................................................................................................................(jogando o jogo)
a:_ ainda hesitante?
p:_ depois do já feito isso importa?
a:_ não, seguramente. já sabemos como e pra onde caminhar: é o bastante
p:_...
a:_ mas... Responda-me: por que achou que seria tão difícil?
p:_ difícil? em algum instante eu disse isso?
a:_ o que há de melhor nas ações é que elas não dependem das palavras pra absolutamente nada!
p:_estou de acordo!
a:_ sem ironia, por favor! apenas responda
p:_ as palavras de nada servem em momentos de ações, certo?
a:_ eu disse: sem ironia!
p:_ calma, eu só quero que tornes minha rendição completa. já se foram o desconforto, a insegurança, o incômodo e hesitação, que tal agirmos um pouco mais?

(Paulo Moraes)

Receita...

Tive um lapso! Vou fazer um bolo! Uma coisa singela para pequenos desjejuns... Não quero nenhuma firula. Irei direto ao ponto sem glosar sobre coisas enfadonhas...

Deixe-me ver... farinha de trigo, açúcar, fermento... Eh, se falta algo é por que na cozinha ajo mais por instinto e a razão é apenas uma porção deste.

Papai e mamãe é uma boa opção para textura da massa. Mas não é bom se ater apenas a isso – culinária envolve um quê de holística...

Ovos! Cadê os ovos? Achei! Essa cozinha anda um pouco escura... Talvez precise de mais uma lâmpada, ou um papel de parede, sei lá!... a penumbra destes lugares propícios, promíscuos e férteis embora cinza devido a escuridão se faz vermelha por um leve grau de daltonismo.. Ah estes hormônios! Colocarei uma lâmpada vermelha na minha cozinha para evitar as triglicérides...

Sexo oral é uma espécie de beijo cético. Uma colher de pau e uma tigela para por a massa. Acho isso muito pagão (um beijo calidamente carnal!), visto por um ângulo somos hereges - que pecado! – a arder nesta fogueira de corpos túrgidos...

Bater com a mão ou na batedeira mesmo? Com a mão terei um esforço físico que talvez deixe o bolo mais gostoso, por outro lado, a máquina pode bater por mim e assim terei tempo para alisar outras coisas...Prefiro bater com a mão, é melhor por que vislumbro o espaço físico e a textura da massa... De quatro! Ah, batendo! Ah, socando! vislumbrando toda a silhueta da massa e ao mesmo tempo sentido a densidade do prazer que dará maciez no bolo... De quatro definitivamente...

Fermento! Quase me esqueço...

Talvez tenha que deixar a massa em repouso... Isso... Como cresce e se contorce... De ladinho as mãos escorregam naturalmente - é difícil achar o ponto da massa, por isso tateio! Às vezes é bom um pouco de violência, um tapa na nádega, na cara - quando dado deliciosamente, mordidas suculentas, arranhar...

Quarenta graus é a temperatura do forno. Fico com medo de passar do ponto, sabe? É normal passar do ponto, mas o ponto perfeito pode dar uma sensação de epistasia ao paladar e na lembrança deste gozo desatina-se a gula...

Vejo o bolo ganhar cor. Parece que sua. Parece que cansa. A exaustão da massa é uma sensação ótima! 30 minutos é o tempo ideal para um bolo, dois até, três se der, quatro, meu Deus!

Está pronto. Está... como posso falar?... como poderia dizer?... Está visualmente “degustável”!!! Ah se gula fosse ácido estaríamos cegos!

...Provo uma fatia... Está bom... Mas como estômago é apenas um órgão semi-ruminate esta pequena fatia encheu-me. Porém esta gula não cessa... Como saciar esta vontade?

Vou fazer outro bolo, afinal não é todo dia que tenho todos os ingredientes no armário...

Brígida Rimel

21/10/2006

sábado, 3 de fevereiro de 2007


As rosas mais caras nos vestidos mais belos;
As rosas nos belos vestidos;
As rosas vestidas de belo;
As rosas parecem vestidos

(Brígida Rímel)